sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa!

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"Jesus foi com os discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes disse:
- Sentem-se aqui, enquanto eu vou ali orar.
Então Jesus foi, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu. Aí ele começou a sentir uma grande tristeza e aflição e disse a eles:
- A tristeza que estou sentindo é tão grande, que é capaz de me matar. Fiquem aqui vigiando comigo.
Ele foi um pouco mais adiante, ajoelhou-se, encostou o rosto no chão e orou:
- Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de sofrimento! Porém que não seja feito o que eu quero, mas o que Tu queres."
Mateus 26:36-39.

Eu acredito que a Páscoa talvez, seja mais importante do que o Natal. É, porque pensem, a Páscoa simboliza o momento em que Jesus morreu na cruz por nós, nos livrou do Pecado, e ressuscitou! Mas enfim, o que eu quero mesmo dizer é que a páscoa que a maioria das pessoas conhece, não tem nada a ver com a Verdadeira Páscoa.
Caso você seja uma dessas pessoas, é importante que você saiba que a Páscoa NÃO significa coelhinhos misteriosos que surgem e te deixam um ovo de chocolate! ;) Mesmo porque isso é logicamente, fisicamente e biologicamente impossível! E é importante que vocês passem o verdadeiro significado dela adiante, para seus filhos, netos, amigos e você pra quem mais estiver no seu círculo de relacionamentos. Mas então, a Páscoa significa a morte e ressurreição de Jesus.
Ele morreu por mim e por você, Ele poderia ter desistido, afinal, Ele era como nós, com sentimentos, sentia dor, vontades, medo e tudo o que nós sentimos, mas Ele foi em frente e obedeceu ao Pai. Morreu como um cordeiro, sem chorar, sem gritar...
Nos últimos momentos de sua vida, Ele ficou sozinho, exceto pela presença de D'us, é claro. Ele sofreu tanto e por tanta gente que não merecia nem metade - nós. Ele sofreu porque foi obediente e principalmente pelo Seu amor por nós.
"Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Mas, depois que o provou, Ele não quis beber. Em seguida os soldados o crucificaram e repartiram as suas roupas entre si, tirando a sorte com dados, para ver qual seria a parte de cada um." Mateus 27:34, 35.

"Aí Jesus deu um grito forte e morreu. Então a cortina do Templo se rasgou em dois pedaços, de cima até embaixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. [...] O oficial do exército romano e os seus soldados, que estavam guardando Jesus, viram o terremoto e tudo o que aconteceu. Então ficaram com muito medo e disseram: - De fato, este homem era o Filho de D'us!" Mateus 27:50-54.

"Então o anjo disse para as mulheres: - Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado, mas Ele não está aqui; já foi ressuscitado, como tinha dito." Mateus 28:4-6.

Ele morreu e agora VIVE! E está conosco sempre, como Ele mesmo disse que faria.
"E lembrem-se disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos" Mateus 28:19.

Pode ser mais legal acreditar nos coelhinhos e tudo mais, pode ser mais fácil acreditar, né? É mais cômodo para todos, afinal, dá dinheiro! Mas olha, todas essas coisas aqui são passageiras, as pessoas que inventaram essas histórias não estão nem aí pra você, elas não fazem absolutamente NADA por você, aliás, elas provavelmente estão mortas agora! Mas Jesus fez muito mais do que você imagina, e ainda faz, não porque nós merecemos, mas porque Ele nos ama... Ah, e Ele está VIVO! ;)
Feliz Páscoa e que Ele retorne logo!


Obrigada e Have Fun!

domingo, 17 de abril de 2011

MARAVILHOSO!



Eu estava pensando agora, quando estamos apaixonados, vivemos pensando e vivendo somente para aquela pessoa, certo? Quando ela erra, nós preferimos não enxergar seus erros. Quando ela, mesmo sem querer, nos magoa, nós facilmente a perdoamos e esquecemos, as vezes até, fingimos que nada aconteceu (é claro que devemos perdoá-la, por favor!).
Quando essa pessoa fala qualquer coisa, mesmo que seja uma "bobagenzinha" romântica, nos derretemos feito manteiga fora da geladeira. Juramos amor eterno àquela pessoa mesmo se ela não merecer, somos fiéis e a respeitamos.
Contudo, é muito fácil amar e fazer tudo isso com uma pessoa qualquer, talvez até com alguém famoso - que não te conhece e nunca fez nada por você. Mas quando se trata de D'us, nós somos como robôs programados: "você acredita em D'us?" "sim", "você ama D'us?" "sim", "o que Ele significa pra você?" "tudo". É claro que essas respostas são corretas, mas, serão elas sinceras? Dê um "back" na sua vida, ou apenas no seu dia, as coisas que você fez/faz demonstram que essas suas respostas são sinceras?
Nós tratamos D'us, as vezes, como se Ele tivesse a obrigação de nos atender ou como se Ele fosse só uma "opção criada pelo homem". Mas não é assim, D'us nos criou, nos livrou e nos ama. Ele está ao nosso lado todos os dias, é nosso MELHOR amigo e nós praticamente esquecemos disso. Ele nos perdoa quando erramos, tem misericórdia de nós, o amor dele por nós É eterno!
Ele é soberano, inspirador, misericordioso, justo e tudo que existe de melhor - até o que nem imaginamos.
Nós não somos merecedores de tanto, mas Ele nos oferece tudo e muito mais, o quanto agradecemos a Ele? O quanto vivemos para Ele? É... isso aí mesmo, 0,0001% do que Ele faz por nós todos os dias... Vamos colocá-Lo a cada amanhecer no TOPO da nossa vida, que é onde Ele deve estar sempre!
Obrigada, Senhor, por me amar tanto! :)



Obrigada e Have Fun!


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Queridas Meninas,

Só um "vapt-vupt"... Espero que tenham gostado de Contos do Reino, eu, particularmente, achei muito bom e edificante, por mais que pareça apenas uma simples história de fantasia, quem leu, deve ter percebido que é bem mais do que isso! :D

O que eu vou escrever hoje, pode ser para todos, mas especialmente para as meninas. Sim. Meninas.
Quando nós nascemos, somos as princesinhas da casa, as "maçãs" dos olhos de nossos pais, as bonequinhas da vovó, as "dondoquinhas" dos tios, e por aí vai... Não é mesmo? Mas um dia, para a infelicidade dos nossos pais, principalmente dos papais corujas (certo, pai?), nós crescemos - não estou falando diretamente da adolescência, que fique claro. Nessa jornada, chamada "crescimento", nós aprendemos muito e começamos a descobrir que podemos chamar atenção, né?
Eu tenho visto muitas meninas se perdendo, se confundindo com o "certo" e "errado". Se vendendo, se doando, sendo manipuladas. As meninas tem esquecido de ter princípios, achando que é melhor viver a vida de uma forma irresponsável, afinal, a vida é uma aventura, não é? Eu vejo meninas se comportando como prostitutas, porque não venha me falar sobre preconceito, porque sinceramente, prostituição não é e nunca será uma profissão, e sim um modo de vida vulgar e pervertido, que não agrada a D'us. As meninas que ao invés de serem amigas de suas mães, são inimigas e não se importam com nada do que lhes é dito.
Eu vejo essas meninas perdidas todos os dias, em qualquer lugar. Eu vejo nas fotos, na rua, nos bares, no shopping e já vi nas igrejas também, agora a pergunta que não quer calar: por que na igreja? Porque o real motivo da comunhão está danificado, estragado, esquecido, as igrejas tem virado clubes, onde qualquer pessoa que não esteja interessada em D'us, frequenta. (Só para esclarecer, não me refiro a todos).
Eu já estive próxima de meninas assim, eu pude ouvir o que elas pensam da vida e o que realmente importa, e olha, não é bom. Você acha legal sair de casa vestida para chamar a atenção dos rapazes e disposta a fazer qualquer coisa? Acha legal ir para uma festa e ficar bêbada a ponto de não ter coragem de voltar para casa? Acha engraçado, quando seus "podres" são espalhados aí, com títulos de "glória, troféus"? Acha incrível viver a vida sem pensar nas consequências?
Pois eu te digo isso: Os rapazes não casam com meninas assim, eles gostam de se aproveitar de meninas assim. Eles te usam e jogam fora, você é descartável para eles. Seus amigos, se eles forem realmente seus amigos, eles não vão rir com você quando você fizer essas coisas, eles vão te repreender e podem até ganhar seu ódio, mas eles não vão desistir de você. As pessoas que te observam quando você age assim, não estão te elogiando e nem felizes por você, elas estão achando ridículo e se estiverem rindo, acredite, não é com você, é de você, mas não porque você é engraçada, mas porque você se rebaixou o suficiente para virar motivo de riso. Seus pais te amam, mas eles não ficam contentes com esse seu comportamento, eles dariam a vida para que vocês pudessem ir para o caminho certo. Agora, preste bem atenção, Jesus, Ele poderia deixar você pra lá, mas não, Ele fez melhor, Ele DEU a Sua vida por você. D'us tem tanta misericórdia de você, que Ele permite que você acorde todas as manhãs, para que você possa tomar rumos diferentes do que você tem tomado e escolhas melhores do que as que você tem feito.
Foi duro ter lido tudo isso? Você pode estar me odiando agora, pode estar desejando que eu morra, mas eu não disse tudo isso da boca pra fora, não disse isso para ser odiada e nem para te ofender. Eu disse isso porque existe outra opção e essa, é pra você também.


Obrigada e Have Fun!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Contos do Reino #12- Provado pelo Fogo

Romanos 8:37-39

Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

PROVADO PELO FOGO

Não muito tempo atrás, duas crianças em Grande Parque saíram com a intenção de fazerem uma conquista: um menino procurava um meio pelo qual pudesse passar por aquilo que mais temia, e uma menina que temia ter perdido Aquele que ela mais amava. E juntos descobriram o Reino dentro deles e fora - que todos descobrem quando têm essa coragem de sair nesta conquista.

A guerra de Fogo foi vencida, mas um sentimento terrível ainda pairava sobre Grande Parque. Seres escuros pareciam esconder-se dentro de cada sombra e por trás de cada árvore e moita prontos para atacar.

"Ai Misericórdia. A culpa é toda minha", chorava Amanda, depois de ter retornado à segurança da Cabana de Cuidador. "Fui eu. Eu desobedeci. Grande Parque tem sofrido por minha causa. Nunca seremos os mesmos. Nunca".

Misericórdia balançava a criança ferida em seus braços e chorou também. Ela ofereceu para a menina a receita sanadora e aplicou uma compressa. Ela orou pela presença do amor do Rei, mas Amanda não recebeu nenhum conforto. Uma ferida fresca se alastrava nas profundezas da sua alma.

Mais tarde aquela noite, Herói se apressou até o Pavilhão dos Atalaias, pois um conselho havia sido anunciado. Cuidador, estava a frente na plataforma, pois não houve tempo para se tornar Atalaia Comandante, mas os olhos do homem idoso brilhavam de ousadia como nos velhos tempos. Nenhum Atalaia duvidava quem era aquele no comando.

"Eu sei que estão cansados", Cuidador gritou, alto o suficiente para que aqueles no fundo do pavilhão pudessem ouvir. "Todos estamos afadigados. Batalha nunca está no coração de um povo de paz. Todos ansiamos a paz. A guerra do Fogo foi vencida. Mas agora... agora é que o nosso trabalho começa. Aqueles que desejam o mal podem atacar de novo o Grande Parque. Foi aberta uma brecha na proteção!

"Não haverá descanso para os protetores. Mais cautela é necessária após desastres. Os Queimadores e Negadores irão agarrar qualquer oportunidade para tirar vantagem. Atenção deve ser dobrada. Nosso cuidado precisará ser três vezes maior".

O homem idoso parou. Herói ficou olhando ao vê-lo abaixar a cabeça. Ele parecia estar cansado, velho e um pouco tolo. Mas o menino o amava com todo o seu coração.

"Devemos tirar tempo para a Cerimônia da Pureza. Se há qualquer tipo de lascívia por batalha no seu coração, qualquer amor por labaredas de chamas, ou qualquer sombra que se alojou em sua alma, terá de ser chamada para fora. Nenhuma vantagem será dada aos inimigos pelos protetores! Nenhuma!".

Cuidador levantou suas mãos calejadas como sinal de convite. "Venha", ele disse, "renove seus votos ao Rei! Não haverá nenhuma Grande Celebração até que o perigo tenha passado".

Herói ficou olhando, ao ver os homens e mulheres curvarem suas cabeças. Silêncio desceu sobre o pavilhão, como uma grande ave que abafa todo barulho com seu peito cheio de penas novas e macias.

O poder do silêncio impressionava. Alguns ficaram de joelhos. Outros de pé, com lágrimas regando suas faces. Herói pensou sobre o Círculo dos Desígnios, onde ele tinha visto um Atalaia incrédulo revelado. O menino deu ouvidos para a sua própria alma. Chamas incendiaram sua mente. Uma ferida velha latejava.

Herói ouviu passos vindo do piso de madeira - e mais e mais e mais.

"Eu sou pelo Rei e pela Restauração", disse um. A voz era baixa.

"Eu sou pelo Rei e pela Restauração", disse o outro. E assim continuou.

O menino, ao ouvir estas palavras, percebeu que ele, também, era pelo Rei. Não havia outro lugar em que ele desejasse estar, nem outra maneira que ele quisesse viver a sua vida. Ele fez um voto profundo: Vou achar a coragem de passar pelas Chamas Sagradas. Me tornarei parte da Grande Celebração. Mas ele não seguiu os outros até a frente do pavilhão.

Por agora, o voto bastava. Pois Herói sabia que um dia ele, também, teria que andar para encontrar o Rei. Até então, o seu desafio não teria fim.

Durante semanas os Atalaias mantiveram sua vigia reforçada. Fecharam as brechas na floresta. O anel de hectares devastado pela Guerra de Fogo foi limpo para aguardar a primavera, quando Cuidador pronunciaria a mágica do verde e do brotar. Protetores caçaram as sombras que ainda eram ameaças, e os homens do Rei certificaram-se de que, em nome do Rei, todo mal e escuridão foram afastados.

Herói foi voluntário para subir às torres de vigia e aliviar aqueles que sofriam de fadiga. Ele trabalhou com equipes cortando árvores queimadas. Não pôde dizer quando nem onde o seu coração ferido se tornou jovem de novo, mas foi o que aconteceu. Depois de um tempo ele se ajuntou aos Atalaias, quando eles começaram a cantar nas suas marchas pela Floresta Profunda. Logo os gritos voltaram a ser dados de meia em meia hora, ao invés das vigias mais recentes, a cada quinze minutos.

"Como vai o mundo?"

"O Mundo não vai bem".

"O Reino vem".

Esses cantos transmitiam segurança. O menino sentiu-se protegido.

Finalmente, Grande Parque retornou ao que era. Homens e mulheres foram de volta aos campos, artesanato e florestas. Mais uma vez havia tempo para ouvir o cantar dos pássaros e notar o zumbir das abelhas e observar o céu tingir-se de rosa, a cada aurora. Planos começaram a ser feitos para a primeira Grande Celebração, desde a Guerra do Fogo. Primavera chegou. Crianças lembraram uma a outra sobre caçadas de ovos de dragão.

Em todo esse tempo, nem Herói ou Amanda viram o Rei. Herói esperava que tivessem visto, pois Amanda continuava adoentada e esmorecida. O que acontecia com ela, ao final das contas? Herói imaginou. Sob o cuidado da Misericórdia, suas queimaduras foram saradas. Milagrosamente, ela nem ficou marcada.

Um dia Herói a encontrou sentada nas escadas da Cabana do Cuidador. De longe ele pôde perceber que ela estava cuspindo, tentando acertar pedrinhas à distância.

"Aha!" ele gritou ao aproximar-se dela. "Praticando sua mira?"

Surpresa, ela ficou em pé. "Me deixe em paz", ela retrucou. "Por que todos vocês não me deixam em paz?" Ela chutou o guaxinim que se tinha acomodado ao sol do lado dela. "E para de olhar para mim. Todos vocês são feios! Não suporto olhar na sua cicatriz. A misericórdia é uma velha acabada. Cuidador é um terror. Eu não quero ver nenhum de vocês!"

Dito isso, ela saiu furiosa e entrou na Cabana do Cuidador. Herói pôde ouvi-la derrubar uma cadeira, atravessar o quarto com passos fortes e por fim bater uma porta com força.

Ele se lembrou da Amanda que ele tinha conhecido, e não gostava nada do que ela se tinha tornado. Talvez lutar contra dragões não fosse o trabalho de uma princesa. Bem, ao final das contas, ela não parecia mais ser uma princesa.

Herói bateu seu pé no chão, e com raiva se virou para ir embora.

"Herói!" Misericórdia chamou. Ela estava trabalhando no jardim e tinha escutado toda a conversa. O rapaz olhou em sua direção. Ela sorriu e se sobressaiu do meio dos arbustos cheios de fragrância. "Você está encucado com o que aconteceu com a Amanda. Ela está tentando carregar a sua própria culpa; este é um fardo muito pesado para qualquer um carregar".

"Ela me chamou de feio", disse Herói, surpreso por ter-se machucado tanto. Na Cidade Encantada ele estava acostumado a ouvir as pessoas o chamarem de Cicatriz. "Eu sou realmente feio, Misericórdia?"

Misericórdia entregou para ele uma pazinha, e os dois se ajoelharam à luz do sol e começaram a afofar a terra rica. "Não", disse a senhora idosa. "Você é um jovem bonito e forte; mas Amanda - bem, Amanda tem amado algo mais do que o Rei. Toda vez que isso acontece, nossa visão fica apagada e passamos a enxergar as coisas sem a visão real. Tudo parece feio - especialmente nós mesmos".

Herói notou o vermelho dos tomates. "O que vai ajudá-la? Ela vai voltar a ser ela mesma?"

Misericórdia colheu um pouco de coentro. "O Rei pode ajudá-la. Quando passamos pelas Chamas Sagradas, sempre nos tornamos o que verdadeiramente somos. Amanda precisa voltar-se para ele na Grande Celebração. A cura por desobediência consiste em voltar a obedecer".

Herói lembrou-se da sua promessa ainda não cumprida. "Ela está com medo das Chamas Sagradas?" ele perguntou.

A senhora velha olhou para ele. Ela deu um sorriso e quase deu uma risada. "Você é quem está com medo das Chamas Sagradas. Amanda está com medo do Rei. Ela teme que ele irá bani-la do Reino por causa da sua infidelidade".

Misericórdia olhou para bem longe, como se estivesse vendo algo à distância. "Todos precisamos passar por aquilo que mais tememos para ganhar aquilo que mais queremos. O que você quer mais do que tudo Herói?"

Herói soube. Ele se lembrou da risada de um jovem, sentiu um manto marrom de um mendigo passar no seu braço. Ele pensou sobre uma forma se movimentando entre os rejeitados, cantando levemente. Ele sentiu as suas duas mãos pegarem firme na serra de lenhador e puxar. Ele viu um homem lindo dançando por trás de um muro de Chamas Sagradas que saltavam e ouviu a música da Grande Celebração. Ele viu um Rei destemido no meio da Guerra de Fogo. Herói queria servir esse homem. Ele queria servi-lo com todo o seu coração e mente e alma.

Misericórdia sussurrou, como se estivesse lendo a sua mente: "Vá a ele. Você irá encontrar-lo na Grande Celebração. Leve Amanda com você. Quando passamos pelas Chamas Sagradas por razão de outro, o medo não é tão intenso".

Mas Amanda não iria aparecer na Grande Celebração. Ela ficava irritada quando alguém perguntava. Se ela estivesse dentro da cabana, batia a porta ao sair. Se ela estivesse fora da cabana, jogava pedras.

Finalmente, Herói apelou para a sua simpatia. "Por favor, Amanda. Eu tenho medo das chamas. Venha comigo. Me ajude".

"Vá com Misericórdia", ela retrucou. "Ou com Cuidador. Há centenas de outros que poderiam fazer entrada com você".

Herói persistiu. "Não, eu quero que você vá comigo. Por você, Amanda. Como que você agüenta ficar tão longe do Rei?"

Com isso a Amanda derreteu-se. Era verdade. Ela ansiava ver o Rei, mesmo que ele a mandasse embora. Ela chorou: "Ai Herói, ele irá me banir. Sempre fui a princesinha dele, mas olhe só para mim, não sou mais uma princesa... Mas, mesmo assim, irei com você".

Então os dois foram: o menino que tinha escapado da escuridão, porque ele amava luz mais do que sabia e a menina que tinha se tornado ordinária, porque ela não reconheceu o quão maravilhoso era ser uma princesa.

Um leve ventinho soprou as folhas na Floresta Profunda aquela noite. As crianças podiam ouvir a música à distância do Círculo Interior. Amanda com uma das mãos pegou forte no braço de Herói e com a outra mão cobriu a sua garganta. "Ai, Herói. E se ele nem falar comigo? E se fizer de conta que ele nem me vê?"

Pela primeira vez, desde que eles se conheceram, era o menino que a mantinha prosseguindo, pegando-a pela mão. Eles chegaram perto da grande abertura na floresta. Atalaias estavam ao redor das Chamas Sagradas em seus mantos azuis. As chamas subiam mais e mais altas...mas algo estava diferente - ninguém estava cantando, ninguém estava dançando.

Amanda soltou um gemido. "Iiii... estão todos esperando por nós."

Era verdade. Todos os súditos do Reino estavam aguardando em círculos pequenos. Conversando um com o outro. E o Rei? O Rei ¾ com as suas mãos cruzadas atrás dele, seu cabelo com reflexos de ouro, seu roupão e manta branca com retoques dourados - andava prá lá e prá cá, lá e cá, dentro do Círculo de Chamas.

Amanda virou para ir-se, mas Herói pegou-a pelo cotovelo. Ele estava determinado que a sua agonia iria terminar. Eles se aproximaram das Chamas Sagradas. Os dois ajoelharam-se diante de um Atalaia. Do fundo do seu ser Herói proferiu o seu voto: "Ao Rei! À Restauração!"

Amanda estava chorando, mas conseguiu repetir as suas palavras: "Ao Rei! À Restauração!"

Herói ficou frente a frente com as chamas. Pôde sentir o calor na sua face, mas ao invés de terror, um gozo surgiu dentro dele. Estava ansioso por se encontrar com o lindo Rei aguardando-o no outro lado. Estava decidido a fazer parte do Reino. Estava absolutamente convicto de que Amanda deveria conhecer de novo o amor do Rei.

Os dois fizeram entrada.

Um momento: um escurecer. Aí, passagem. Um grande brado se ergueu dos outros celebrantes. Ecoou pela noite afora, pela Floresta Profunda, alto o suficiente para que todo Grande Parque ouvisse: Princesa Amanda voltou! O menino Herói a tinha levado pela coisa que ele mais temia.

As duas crianças correram em direção ao Rei, que já estava vindo em direção deles. Misericórdia, linda acima da imaginação, e Atalaia Comandante, vieram correndo. Todos se encontraram...se abraçaram...e chamaram um ao outro pelo nome.

Amanda chorou, ao olhar nos olhos do Rei. "Eu pensei que você nunca mais iria querer me ver".

O Rei limpou as suas lágrimas, mas ela chorava mais ainda. Todas as suas tristezas ela despejou: "Eu desobedeci. Eu menti. Eu amaldiçoei Cuidador no meu coração. Eu amei uma coisa proibida. Trouxe fogo a Grande Parque. Todos têm sofrido por minha causa. Me mande embora. Eu não mereço o teu amor".

O Rei cobriu a criança, molhada de lágrimas, com seus braços. "Não me deixe, Amanda", ele sussurrou. "Todos sentimos tanta saudade!"

Entre soluços, a moça completou: "Eu sei...que nunca poderei...ser uma princesa de novo, mas ainda quero ser o seu súdito e obedecer".

"Olhe, Amanda", disse o Rei, "olhe para o que você se tornou".

Amanda deu um relance para baixo. Ela estava vestida elegantemente. Ergueu as dobras da saia. Havia pérolas na barra, um anel no seu dedo e ela sentiu um leve peso na sua cabeça. Era um pequeno diadema circular.

O Rei pegou-a pelas nãos, a olhou bem nos olhos, se curvou, e disse: "Você sempre será a minha princesa, enquanto eu serei o seu irmão".

Amanda olhou nos olhos do Rei. De uma vez, alívio inundou o seu ser, de modo pleno e maravilhoso. Ela soltou a sua cabeça para trás e deu uma gargalhada! Todos ouviram. Haviam esperado por isso ha meses. Princesa Amanda estava de volta a suas risadas!

Misericórdia acolheu Amanda em seus braços, girou com ela uma vez, e juntas entravam na dança que começava a Grande Celebração. O Rei se achegou até Herói e colocou seu braço ao redor dos ombros do jovem. "Venha", ele disse, "eu tenho um lugar reservado para você do meu lado".

Na mesa do banquete, Herói sentou-se ao lado do Rei. Ele comeu do pão do Padeiro Chefe e parecia que nada tinha sido tão gostoso. Soltou um grande sorriso ao ver os dois cavaleiros engraçados contarem estórias e cantou os cânticos da corte e aplaudiu o Malabarista Aprendiz e soltou gargalhadas, ao vê-lo como parte dessa turma tão boa.

Depois de um tempo, o Rei disse: "Herói, eu tenho um trabalho para você. Queria saber se terá a coragem para executá-lo".

Pela primeira vez em um bom tempo, Herói tocou o lado da sua face com a ponta dos dedos. Ele pôde sentir a marca áspera da cicatriz Ficou surpreso de que ainda estivesse lá, e ainda mais surpreso por que parecia não fazer mais diferença.

O Rei continuou. "Eu preciso de um varão do Rei para morar na Cidade Encantada. Chegou a hora para começar a Restauração do Reino. Eu preciso de alguém com um coração de Herói, alguém que conheça as astúcias do Encantador. Você vem?"

Herói engasgou-se com a migalha de pão que estava mastigando. Ele gaguejou. "Mas eu...mas eu só...".

O Rei deu uma risada. "Eu sei, você acabou de fazer entrada. Mas eu não estarei partindo por um tempo ainda. Tire um tempo para aprender os caminhos do Reino. Goze da Grande Celebração. Aprenda da Misericórdia. Ande com Atalaia Comandante. Quando estiver pronto, o chamarei".

Herói olhou nos olhos do Rei. Voltar para o Encantador e seus Queimadores? Que estranho eu estar disposto a fazer qualquer coisa por esse homem!.. Mas será que havia varões do Rei na Cidade Encantada? Herói lembrou-se do motorista de táxi que tinha dado o grito: "Ao Rei!" tanto tempo atrás. Sim, talvez houvesse.

O Rei conhecia os pensamentos de Herói. "Vai valer a pena todo o perigo, Herói. Eu tenho trabalho para você fazer". Ele ficou em pé e virou-se para sair da mesa.

De repente, Herói teve um pensamento terrível: "Mas, senhor, como vou achá-lo na Cidade Encantada? Você estará com disfarce?"

O Rei riu novamente. Ele se esticou por cima da mesa, e firmemente apertou a mão do celebrante jovem. "Há, é... você nunca foi muito bom em avistar". E com isso ele se curvou e sussurrou. "Não vai ser difícil de me achar. Terei uma cicatriz igual à sua".

Então, a princesa achou o amor do Rei. E o rapaz tornou-se o varão do Rei, e descobriu que aquele que entra no Círculo Íntimo é para sair novamente. Entrada é só o começo da jornada.


Obrigada e Have Fun!


PS.: Caso você queira imprimir os capítulos, por favor, saiba que a impressão do livro tem a autorização dos autores David e Karen Mains, mediante a condição de que NÃO fosse vendido. Portanto, a venda do livro é PROIBIDA. :)


Contos do Reino #11- Fogo na Floresta

1Coríntios 12:26

Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele.

Mateus 16:16-18

Simão Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Respondeu Jesus: "Bem-aventurado é você, Simão, filho de Jonas! Pois isto não lhe foi revelado por carne nem sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.

Efésios 3:10-12

A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais, de acordo com o seu eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor, por intermédio de quem temos livre acesso a Deus em confiança, pela fé nele.


FOGO NA FLORESTA

E agora, mal levantou sua cabeça ao som do caos. Enquanto fumaça ascendia sobre Grande Parque, figuras escuras vindas da Cidade Encantada começaram a avançar. . .

Cuidador veio correndo até a cabana da Misericórdia, com Amanda nos seus braços. Ele deitou a criança numa cama. Misericórdia olhou para ela, atônita. "O que aconteceu?" ela perguntou.

"Fogo", respondeu o velho homem e o olhar que ele deu à sua esposa disse tudo: por causa da desobediência da Amanda, Grande Parque agora estava vulnerável ao perigo.

Croie-e-e-e-e-e! Croie! Croie! As trombetas dos Atalaias estavam dando o alarme insistentemente. Fogo! Perigo!

"Faça o que puder para ela, mas rapidamente!" ordenou Cuidador, se apressando até a porta. "Depois, venha ao Círculo Íntimo. Os homens do Encantador estão assolando o portão. Precisaremos de você logo-logo".

Imediatamente, Misericórdia foi até a lareira, onde ela rapidamente misturou algumas ervas medicinais numa bacia. "Herói", ela chamou, "eu vou precisar da sua ajuda. Molhe estes panos limpos nesta bacia. Depois, cubra as queimaduras dela . . . assim.

Misericórdia cortou fora a roupa que estava queimada, da Amanda, e a cobriu com um cobertor. Herói observou, enquanto a senhora idosa cuidadosamente colocou gazes em todos os lugares onde a pele estava vermelha por causa das queimaduras. Também pegou um copo, e com muito jeito o encheu de solução da jarra de cura e a derramou na boca de Amanda.

Croi-e-e-e-e-e-e! Soaram as trombetas, com urgência.

"Eu preciso ir", disse Misericórdia a Herói. "Perigo tem avançado pelos portões". A velha senhora deu uma parada ao sair da porta. "Se você se sentir ameaçado, não fique com medo. Declare os gritos dos Atalaias para se fortificar: 'Ao Reino! Ao Rei!'".

Aí ela sumiu.

Herói ficou olhando a menina ferida, tão quieta na cama. O que tinha acontecido? Deu medo só de olhar sua pele cheia de bolhas e seus olhos completamente inchados. Nem parecia que ela estava respirando.

Sons frenéticos, vindo de fora, interromperam o silêncio na cabana. Todas as pessoas capazes em Grande Parque estavam se apressando na direção do Círculo Íntimo, onde as chamas sagradas estavam sendo acesas. Herói ouviu gritos de Atalaias e toques de trombetas de alerta, incessantes. E, de muito longe, ele ouviu o bater baixo e fúnebre dos tambores da morte vindo da Cidade Encantada. Seus ouvidos pegaram um outro som também: não-nunca-nada, não-nunca-nada, não-nunca-nada.

Era o canto de batalha dos Negadores, que tinham o poder de congelar as mentes das pessoas através da repetição de impossibilidades em seus corações. Herói sabia que Queimadores, espalhando fogos de destruição com seus atiçadores abrasadores e Pauleiros, levando cacetes para socar até a morte qualquer um que lhes resistisse, estariam avançando por detrás do exército de Negadores.

O coração de Herói se desesperou. O rapaz olhou para a jovem na cama. Ele sabia que ela estava morrendo. Amanda, Amanda, ele gemeu de lá de dentro dele, quando todas aquelas lembranças da pequena princesa vieram despencando sobre ele: Amanda sentada em cima de um toco de árvore na floresta, com flores entre seus dedos do pé; Amanda lançando o machado de Cuidador com mira perfeita para defendê-lo contra o Atalaia Incrédulo; Amanda dando suas gargalhadas.

Herói se ajoelhou ao lado da cama, seus olhos cheios de lágrimas. Foi então que ele se lembrou das últimas instruções de Misericórdia. "Ao Rei", ele sussurrou, engasgando nas palavras. "Ao Reino!" Seu coração estava pesado, mas ele continuou a repetir as palavras. Com isso um poder parecia enchê-lo, uma força semelhante à de ira. Ele ficou de pé e gritou de pulmões cheios: "Ao Reino! Ao Rei!"

Será que o quarto se contra-balanceou? Ou será que Herói se deixou levar por suas emoções? Amanda de repente se mexeu na cama, e Herói notou que não estava mais ouvindo os Negadores a cantar repetidamente os seus gritos.

A menina gemeu por debaixo dos cobertores. Suas sombrancelhas se esforçaram para abrir seus olhos. "Cuidador? Fogo!"

Herói se ajoelhou ao lado dela novamente. "Ele já se foi, Amanda. Ele e Misericórdia e todos em Grande Parque estão se apressando até o Círculo Íntimo".

A menina ficou sentada, desfaleceu, e tentou levantar-se novamente. Herói tentou impedi-la de se levantar, mas ela estava desesperada. "Deixe-me ir!" ela gritou. "Precisamos sair daqui! Todos estamos em perigo!"

Freneticamente Herói começou a revirar as coisas em busca daquela mistura de cura. Onde será que Misericórdia colocou aquela jarra? Mas ele parou, ao ouvir alguém entrar na cabana. Ao olhar em direção a porta, Herói avistou uma figura escura na entrada. Era encurvada e escondida, por baixo de um manto escuro, mas Herói conseguia ver o rosto esbranquiçado, com olhos penetrantes e um sorriso arrepiante. O intruso segurava um cassetete feio e rude e cheio de nós.

Ele se arrastava vagarosamente, mas com determinação, em direção ao canto onde Amanda estava descansando.

Herói queria se jogar na frente desta forma terrível, mas ele estava tão congelado no momento, que parecia se mover sobre pés aleijados.

O Pauleiro levantou o seu porrete sobre sua cabeça. Amanda se retorceu. E aí, de lugar nenhum, Herói ouviu um grito. O pisar de pés apressados e o som de um machado voador encheram o quarto. Foi então que um homem vestido de azul e o Pauleiro fantasmagórico engajaram-se em uma batalha feroz, que fez cadeiras e mesas se despedaçarem e terminou com o Pauleiro sendo atirado pela porta afora, na tarde fumacenta.

Um Atalaia ficou em pé no meio da cabana, arrumando mesas e cadeiras. Ele dirigiu um olhar sério, mas com sorriso, para Herói e Amanda que estavam tomados de terror. "Um a zero para Grande Parque!" ele disse ao arremessar o cassetete, que foi abandonado pelo seu dono, na lareira.

"Como? ..." Herói perguntou.

O Atalaia gentilmente, e com cuidado, empacotou Amanda num cobertor. "Minhas ordens foram para vir e pegar vocês dois", ele respondeu. "Eu o vi entrando de mansinho. Estão sempre tentando tirar vantagem, criaturas malditas! Agora, o Parque está cheio deles". Ele ergueu a menina nos seus braços e deu um sinal com a cabeça a Herói. "Pegue algo para ela vestir, que não seja apertado. Depressa!"

O Atalaia saiu rapidamente da cabana, mas Herói hesitou por um momento, seu coração batendo disparado, só em pensar que teria de passar pelo Grande Parque com fogo em certos lugares. Algo como uma oração não solicitada, ou como um velho hino que se lembra por partes, surgiu de dentro dele. Ao Rei...ao Rei...

Em um só movimento o menino saiu atrás do Atalaia, se expondo à tarde quente e estranha. Um forte cheiro de fumaça engasgava o ar. O céu acima estava fervendo com nuvens terríveis de tom cinza e amarelo. Algo como uma sombra pegou a atenção de Herói pelo canto dos seus olhos. Uma forma escura correu de mansinho para trás de uma árvore, e logo em seguida outra a seguiu.

Quando finalmente chegaram até o Círculo Íntimo, as Chamas Sagradas já estavam radiantes de poder. Atalaias, dentro do círculo, estavam dando ordens para todos os súditos se organizarem por unidades de ataque, de combate ao incêndio, protetores, e carregadores de chama.

Herói não iria passar pelas chamas com o Atalaia que carregava Amanda, e até a menina se estremeceu e pediu para ficar no lado de fora do Círculo Sagrado. O rapaz e a moça ficaram lá observando o Atalaia Comandante do outro lado do fogo.

O emblema de prata brilhava no seu ombro e na sua fivela. Misericórdia, agora uma mulher-de-guerra forte, trabalhava ao seu lado. Ela passava para alguns as tochas a serem acesas, a outros, mapas, e ainda baldes para outros.

O Rei estava de pé no meio disso tudo, seus ombros mais alto do que a maioria. Sua face estava séria, e seus olhos radiavam de indignação. Ele, também, estava usando o manto de Atalaia, mas em suas mãos segurava o cetro de prata, que brilhava com chamas de fogo.

De repente, o Rei ergueu bem o queixo e assobiou. Logo em seguida, o Atalaia Comandante e sua esposa, Misericórdia, repetiram o chamado. Num instante, grandes alces, corças e veados saíram da floresta, como se estivessem esperando pelo chamado. Galhos e galhos de chifres refletiam a luz do círculo de chamas.

De uma vez, o Rei, o Atalaia Comandante e Misericórdia, saíram de dentro das Chamas Sagradas, e cada um pulou em cima das costas de um forte alce. Muitos, de dentro do Círculo, seguiram, até que uma grande multidão de homens e mulheres estavam montados em cima dos grandes animais.

Naquele momento um veado novo, sem alguém nele, cutucou Herói. "Deixe-me ajudá-la a montar. Vamos com eles".

O Rei se endireitou por cima da cernelha do alce em que estava montado e deu um sinal à tropa atrás dele. Centenas de pessoas montadas prosseguiram para dentro da Floresta Profunda. Primeiramente, as linhas se mexeram em passo lento, mas logo começaram a cavalgar, e por fim a galopar, traçando seu caminho pelas trilhas já abertas pelos veados. Herói podia ouvir os gemidos baixos de dor da Amanda, ao tentar se estabilizar sobre o animal.

Logo as montadoras foram formando um grande arco, e as chamas das suas tochas se espalharam pelas árvores e os arbustos. Os soldados sobre animais levantaram suas vozes num canto: "Ao Rei!" Aqueles a pé responderam: "Ao Reino!" O coração de Herói se encheu de uma coragem estranha quanto mais o canto ecoava pela floresta com a cadência das patas dos animais como fundo.

Ao chegar à vila dos Rejeitados, um tropa de soldados que estavam a pé tiveram a iniciativa de carregar os coxos e mancos até uma fortaleza próxima para serem protegidos do avanço dos Pauleiros. Herói perguntou a um deles se poderia estar levando Amanda também. Herói soube que tinha tomado a decisão certa, ao ver a Amanda fechar os olhos em sinal de alívio: ela estava muito fraca para continuar.

Mas Herói sabia que era necessário que ele ajudasse a proteger Grande Parque. Seguiu os Atalaias montados em direção ao Campo Relvoso, onde a grama seca estava em chamas, ao redor de uma carcaça enorme. Fumaça preta enchia o céu. Árvores grandes e velhas estavam sendo consumidas pelo fogo feroz.

Ao se aproximarem desta área, Herói pôde notar que cada Atalaia segurava seu machado com a mão livre. Um som começou ¾ a canção familiar de poder que Herói tinha ouvido tantas vezes. A linha de guerreiros que avançava dividiu-se ao meio, cada ala circulando num lado do grande espaço em chamas. Os Atalaias, ainda montados em seus animais, levantaram suas vozes em harmonia na tentativa de acompanhar os machados musicais.

Naquele momento, o Rei cutucou o seu grande alce para ir à frente. Ele prosseguiu, como ordenado, até ao centro do lugar cheio de chamas, ao lado da carcaça do animal enorme. Herói encheu-se de admiração, ao ver a coragem do Rei. O Rei desmontou, mesmo com fogo por toda parte. Ele apontou o seu cetro na direção do grande círculo de homens e mulheres que o rodeava.

Naquele instante, um forte redemoinho começou a soprar. O fogo na tocha de cada Atalaia pulou para o próximo ao seu lado. Um Círculo de Chamas ligou uma pessoa por pessoa, até que todos foram unidos, criando um só anel no meio da floresta. O fogo disperso de destruição foi rodeado pelas chamas de poder do Rei, que iriam conter o fogo, enquanto os Atalaias lutariam contra o inimigo. Os Atalaias soltaram um grito a uma só voz: "Ao Rei! Ao Reino!"

Do centro do Campo Relvoso, o Rei levantou seu cetro. A mata, que antes esteve cheia de ruídos e gritos dos servos do Encantador, ficou em silêncio. Os Negadores cessaram seus cantos. O pulsar dos tambores da morte parou. Era o momento fulminante antes da batalha.

De repente, em som estrondoso, um relâmpago estourou do céu preto e acertou o topo do cetro de prata. Luz branca radiou pela forma do Rei que estava com seus pés bem plantados.

Seu corpo vislumbrava e resplendia, mas por tudo isso se manteve firme. Soltou a cabeça para trás e disse em voz alta: "Ao Meu Pai, o Imperador de Tudo! Àquele Que Sempre É!"

Herói percebeu a esta altura que os Atalaias estavam aguardando uma ordem. Subitamente, ela veio. A voz do Atalaia Comandante cortou o silêncio da floresta: "Preparar!" Centenas de vozes das duas alas ecoaram: "Preparar!" Cada Atalaia cravou o cabo da sua tocha no chão da floresta e levantou o seu machado.

"Avançar!" veio o grito.

"Ao Rei!" veio a resposta, e os Atalaias, montados em alces, atacaram em direção à floresta.

Estando no lado de fora do anel de chamas, Herói percebeu que ele estava desarmado para a batalha. Descendo do seu animal, arrancou da terra uma raiz sólida e mortífera. Naquele momento, mãos ásperas o agarraram, jogando-o contra uma grande árvore. Seus pulmões perderam todo o seu ar. Ele sentiu pancadas fortes no peito e nos ombros. Foi então que ouviu um grito de dor. Foi a sua própria voz.

Por instinto, Herói se jogou no chão e rolou para escapar do seu atacante. Boom! Um cassetete quase acerta sua cabeça. Ele rolou mais uma vez. Quase que pega!

Uma raiva terrível subiu dentro de Herói. Apesar de toda a confusão, ele ainda conseguiu manter em mãos a sua própria clava. Sem dó, ele acertou o estômago da forma que estava em pé ao lado dele. Esta vez, ele ouviu o gritou de dor vindo do estranho.

Herói rapidamente ficou em pé, seus pulmões famintos por ar. Ergueu sua clava e a desceu com toda sua força em cima da cabeça do Pauleiro.

Herói observou o seu inimigo cair imóvel ao chão...quando não se mexeu, ele se encurvou para puxar o capuz cinza e ver o que estava por dentro. Ele se assustou com o rosto branco, sobrancelhas grossas e, por final, um sorriso que mostrava os dentes.

"Bom trabalho ¾ " disse uma voz atrás dele. Era um soldado que estava a pé. "Prepare-se. Lá vem mais. Dessa vez, Queimadores".

Herói finalmente conseguiu respirar fundo. "Como vamos ...lutar contra...Queimadores?"

"Lute contra fogo, usando fogo", disse o soldado, e puxou duas tochas do Círculo de Chamas, jogando uma para o menino. "Faça o que eu fizer".

Não-Nunca-Nada. O grito de batalha ominoso cresceu ainda mais.

"Não dê ouvido aos Negadores," avisou o soldado. "Lá vêm os Queimadores!"

Um bando de sombras escuras saltou da floresta. Os atiçadores dos Queimadores ardiam como uma luz forte. O coração de Herói ficou desesperado. Ele se lembrou da Hora da Marcação, de muito tempo atrás. Seu estômago e costas começaram a latejar.

"Avançar!" gritou o soldado ao seu lado.

Em espanto, Herói observou o homem atacar os Queimadores nocivos.

Não-Nunca-Nada, pensou Herói. Não adianta. São tantos!

"Vamos rapaz!"

Fadiga sufocou Herói como laços de ferro. Desespero acorrentou seu coração. Como iria o Rei vencer contra tanta maldade?

Queimadores cercaram o soldado isolado. Um dos Queimadores meteu um atiçador em sua direção. Pegou na roupa do lutador. Mas ele girou rapidamente para se livrar, e ao mesmo tempo esticou a sua tocha o máximo possível e continuou a girar, distanciando-se dos seus inimigos.

Não-Nunca-Nada...

"Vamos rapaz! Me dê uma mão!"

Em meio ao medo que o congelou, Herói ouviu uma outra voz surgir: "Ao Reino!" Era a voz do Rei.

Herói agarrou o seu tição e gritou: "Te darei duas mãos!", e com isso ele arrebentou o anel de Queimadores, cheio de ímpeto e grande energia.

Dando as costas um para o outro, os dois súditos do Rei davam seus golpes. Há! Enfiando seus tições no estômago dos Queimadores, o fogo dava uma volta neles. "Yi-i-i-i!!" gritou um dos Queimadores, e saiu na carreira. Herói e o soldado deram uma pancada forte nos atiçadores dos Queimadores com seus tições, jogando-os ao chão, e a roupa de outro pegou fogo. Logo esta banda se dispersou pela floresta adentro.

Mais uma vez, Herói ouviu a voz do Rei: "Ao Imperador de Tudo! Àquele Que Sempre É!" Neste momento... trovejou, e as chuvas caíram. As chamas furiosas, que foram contidas dentro do Círculo das Chamas Sagradas, oscilaram, estalaram, subiram e desceram e, finalmente, se apagaram, afogadas pela chuva forte.

Um grande pranto soou na distância. "Retirada! Fujam!" Sons de perseguição elevaram-se pela floresta à medida que os Atalaias correriam atrás dos malfeitores, pela noite escura, em direção à entrada minúscula do Grande Parque.

Finalmente, o próprio Círculo de Chamas Sagradas subiu em fulgor para se encontrar com o céu e, então, isso também se extinguiu. Exausto, Herói voltou para Campo Relvoso, justo a tempo de ver as chamas tornarem-se brasas, e ver o Rei abaixar o seu cetro. Misericórdia e Atalaia Comandante estavam um de cada lado dele.

Logo, a aurora raiou, a chuva parou. E o soar dos machados desvaneceu-se. O portão do Grande Parque fechou-se com um estrondo. A manada de animais correu de volta à floresta. E cada homem e mulher retornou aos seus amados.

Nada permaneceu no campo de batalha, onde a guerra de Fogo foi pelejada, a não ser a terra queimada, exalando o cheiro de cinzas úmidas, e três figuras fatigadas no meio de Campo Relvoso: uma senhora idosa, um velho cuidador e um jovem camponês.

Eles curvavam suas cabeças juntos e sustentavam um ao outro. Então, o camponês disse bem baixo: "À Restauração!" e ergueu suas mãos ao céu.

Foi assim, então, que se apagou o fogo feroz na floresta por um poder maior, pois há algumas coisas que não podem ser mudadas, não podem ser abaladas, não podem ser queimadas.


Obrigada e Have Fun!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Contos do Reino #10- A Princesa Amanda e o Dragão

Mateus 18:7-9

Ai do mundo, por causa das coisas que fazem tropeçar! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas acontecem! Se a sua mão ou o seu pé o fizerem tropeçar, corte-os e jogue-os fora. É melhor entrar na vida mutilado ou aleijado do que, tendo as duas mãos ou os dois pés, ser laçado no fogo eterno. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no fogo do inferno.

Hebreus 3:12-13

Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo. Pelo contrário, encorajem uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama "hoje", de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado.

Tiago 1:14-16

Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, quando por esta é arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. Meus amados irmãos, não se deixem enganar.

A PRINCESA AMANDA E O DRAGÃO

Era uma vez, quando a grama alta crescia ao redor do Lago Marmo. Cada primavera dragões fêmeas vinham do céu, abriam ninhos nas canas, botavam ninhadas de ovos e as enterravam na areia. E uma vez concluída a sua tarefa, os grandes répteis voavam de volta de onde vieram.

Dragões no céu é o primeiro sinal de primavera em Grande Parque. As crianças vêm, com cestas na mão, ansiosas por fazerem caças de ovos de dragões. Elas guardam as suas meias de inverno e acham muito legal irem descalças na areia que rodeia o lago. As crianças apostam corridas, rindo e respirando forte, para verem quem consegue achar um ninho de ovos de dragão primeiro. Elas gritam e fazem a festa quando acham o tesouro.

"Ovos de dragão!" elas gritam. Logo esse grito—"Ovos de dragão!"—ecoa de um lado do lago para o outro.

As crianças sabiam que era proibido ficar com os ovos de dragão...porque um ovo de dragão logo se choca e chega ao tamanho adulto em seis meses. As escamas do dragão nenê ficam duras. Ele começa a lançar fogo. De início, só jatos curtos de ar quente e mais tarde tochas fumegantes. O dragão se torna astuto e não é confiável. Por estas razões, há uma placa nas margens do Lago Marmo que diz: É Proibido Guardar Ovos de Dragão.

Os dois ovos que a Princesa Amanda achou um dia, vários meses depois da chegada de Herói, eram de bronze. Brilhavam como jóias âmbar à luz do sol. Talvez a intenção dela fosse de levá-los até Cuidador. Talvez pensasse que os ovos estavam velhos e estragados por dentro. Talvez ela tenha se esquecido. Mas ela não os levou até a cabana de Cuidador.

Ao invés, ela escondeu os ovos. Ela os escondeu no Meu Lugarzinho, sua cova no oco de uma grande árvore na beira de Campo Relvoso, que era tão distante do Portal de Pedras que poucas pessoas chegavam até lá. Era tão calmo lá que Cuidador visitava essa área poucas vezes ao ano.

O sol da primavera chegou até o chão da cova de Amanda aquecendo o seu esconderijo. Logo, um ovo chacoalhou quando a princesa pegava nele para o inspecionar. Obviamente não havia vida neste ovo. Mas o outro começou a se rachar. Daí algumas horas, um filhotinho de dragão usou o seu bico para se livrar da casca do ovo. O filhotinho grasnou pedindo comida. Seu pescoço estava ainda fraco e balançava na tentativa de manter a cabeça no alto . Seus pés se esforçaram para dar passos equilibrando sua cabeça enorme. Ele acabou batendo o nariz no lado da árvore. Amanda riu.

"Eu preciso levar você para Cuidador", ela pensou em voz alta. "Ele saberá o que fazer com um filhote de dragão inesperado".

A pequena fera virou seu olho marrom para ela e uma grande lágrima pingou no seu peito. Amanda começou a amar o nenê dragão. Mesmo sabendo que era proibido, ela ficou com o filhote como um animal de estimação. Só por um pouco de tempo, ela pensou. Talvez eu consiga domesticá-lo

A princesa deu insetos e raízes para o nenê de hora em hora para mantê-lo vivo. E, por causa desse nutrir dado ao filhote, ela o amava mais ainda. Logo a pele do filhote ficou coberta de escamas macias que ao sol cintilavam a cor bronze.

Aquele verão se ocupou com jogos de filhote de dragão. A pequena fera e Amanda apostavam corridas com as borboletas. Linhas de asas brilhantes e uma princesa suada e um dragão, cada dia crescendo mais, corriam por Campo Relvoso. Outros dias Amanda e o animal pulavam pelas margaridas, para ver quem conseguia dar o pulo mais comprido. Não demorou muito para o filhote ganhar toda vez.

Algumas vezes Amanda arremessava sua bola o mais alto possível, e o filhote pulava, quase na altura das árvores, e fisgava a bola nos seus dentes.

"Eu tenho mira perfeita. Ele tem o talento de pegar perfeito. Devemos ser a dupla perfeita", ela cantou brincando no sol.

Ao chegar no meio do verão, o filhote era grande o suficiente para Amanda se espremer entre os cravos que cresciam nas costas do dragão. Juntos eles voavam acima da grama, se desviando dos galhos e folhas das velhas árvores que cercavam o campo aberto. O filhote soltou um grito jubilante: “Criii!” e Amanda riu com alegria.

Para cima e para baixo eles voaram. Até acima das árvores e até em baixo, nas flores do campo. Amanda segurou como pôde, enquanto o filhote de dragão voava, batendo as suas asas.

Amanda logo descobriu que seu animal de estimação não gostava de ser deixado sozinho. Ele gritava sem dó, quando ela saía para praticar a sua pontaria no campo de treinamento; então, ela começou a praticar menos e menos. O filhote especialmente tinha uma aversão por ser deixado à noite. Sendo que a princesa nem poderia pensar em trazê-lo para o Círculo Íntimo—e até temia a sua morte, caso fosse descoberto — ela começou a se distanciar das Grandes Celebrações.

Uma noite ela entrou meio agachada na sua cova, ao lado da fera, e esta lambeu seu rosto e suas mãos. Com gratidão, esticou-se ao lado dela, respirando fundo por ter ficado. Ela podia ouvir música à distância, vindo da Floresta Profunda, e sentiu saudades dos seu amigos. Criar um filhote apresentava mais exigências do que ela tinha imaginado. Amanda ficou com raiva da lei que a impedia de compartilhar seu animal de estimação com os outros. Que dano pode fazer um pequeno dragão, ela pensou.

Aquela mesma noite ela notou uma luz amarela vislumbrando nos olhos da fera, quando olhava para ela. Quando lambia seu rosto, ela podia sentir que o seu ar era quente e seco.

Depois disso, ao voltar de passeios curtos à procura de comida, Amanda achava as paredes da sua cova chamuscada. O oco estava se tornando mais preto. Cheirava a carvão. O dragão sempre estava feliz em vê-la, mas ela tinha o cuidado de não ficar diretamente em frente do seu nariz e boca.

Mais e mais ela teve de tomar cuidado com seu rabo. Um rabo de dragão adulto é mortal. Um tapa com o rabo poderia mover pedras ou derrubar árvores ou aleijar um homem. Ou matar uma princesa.

Uma vez, quando ela queria pular nas costas do dragão para fazer um passeio, ele deu um salto sem ela. "Criii-i-o! Criii-i-o!" O seu grito tornou-se um desafio ao lançar uma labareda de fogo em sua direção. Pela primeira vez, ele tinha ido diretamente contra a vontade dela.

Cada semana que passava, Amanda ria menos e menos.

Um dia, depois de apostar uma corrida com o dragão pela floresta, ela o deixou tirando uma soneca em um clareira ensolarada e retornou para a sua árvore oca, justo na hora em que Cuidador estava saindo, costas primeiro. A pequena árvore em cima do seu chapéu saiu do buraco como uma cortiça sai de uma garrafa.

"O que aconteceu com as paredes do Meu Lugarzinho?" ele perguntou. "Amanda, você não tem brincado com fogo, tem?"

"Ah! tá assim um tempão”, ela mentiu. "Eu não sei o que causou isso. Talvez Queimadores estiveram aqui no inverno passado".

Amanda quis que Cuidador parasse de usar esse chapéu ridículo que era uma árvore. Como que ela poderia ter achado aquilo tão maravilhoso!

Cuidador ficou olhando para a terra em frente da cova. Ele colocou seu pé em certos lugares. "Tem visto dragões por aqui?" ele perguntou calmamente.

"Dragões?" respondeu Amanda rapidamente. "Recentemente não... a época de dragões já se encerrou".

Cuidador não disse uma palavra, mas começou a sair pela trilha na Floresta. Seu velho bobo, pensou Amanda. Foi neste momento que ele parou e virou-se e olhou para ela tristemente.

"Se você, em qualquer momento, precisar da minha ajuda Amanda, é só pedir." Cuidador olhou bem nos olhos da Amanda por alguns longos minutos e aí deu meia volta e se foi caminho abaixo.

No dia seguinte, ela escondeu o dragão numa outra parte da floresta. Quando ela voltou, esta vez era a Misericórdia que estava sentada no lado de fora da sua cova. Ela é a mulher mais feia que eu já vi, pensou Amanda, meio surpresa. Não queria conversar com ela. Por que eles não me deixam em paz?

"Amanda!" Misericórdia chamou com um sorriso triste. "Eu te vi chegando, antes de ouvi-la. O que tem acontecido com o seu riso?"

Amanda não sabia como responder. Ela tinha mudado? Tudo parecia estar diferente agora. Será que ela estava perdendo o dom de ver? Ou será que ela estava vendo as coisas agora como realmente são? Talvez a Grande Celebração fosse apenas um monte de tolice?

Naquela mesma noite, Amanda percebeu que as escamas do dragão, dormindo ao seu lado, eram muito duras. Ela sabia que seu corpo grande estava deixando Meu Lugarzinho apertado e que dragões crescidos não era piada.

Esta seria a última noite que ela iria deixar o dragão retornar do seu esconderijo e dormir com ela na sua cova. Na manhã seguinte, ela levou o dragão bem no meio da Floresta Profunda e mandou ele ficar lá. Secretamente ela teve a esperança de que o dragão iria sair voando. Ele tinha ficado muito grande e Princesa Amanda estava com medo. De alguma maneira ela precisava livrar-se do dragão. O perigo estava próximo. Ela podia sentir isso.

Numa manhã, alguns dias depois, ela acordou mais cedo. Com os seus olhos ainda fechados, ela desfrutou do conforto de ter lugar o suficiente para se esticar. Era um dia crespo de outono. Ela pôde cheirar o ar crespo e seco. E ela pôde respirar fundo e cheirar...fogo! Amanda deu um pulo e ficou em pé. Folhas secas estavam empilhadas em frente à sua porta. Estavam queimandos. Amanda correu para fora, pisando e espalhando as folhas. Seus pés descalços foram queimados.

Levantando a cabeça, ela percebeu que um toco velho estava enfumaçando, ao lado da trilha. Fumaça estava saindo do arbusto, ao lado da floresta.

Amanda conseguiu ver algo grande e cor de bronze mexer-se entre as árvores. Ela correu para dentro para calçar seus tênis e saiu de novo às pressas.

"Espere! Espere!" ela gritou. Ela começou a correr ao longo da trilha. "Espere por mim!" Ela estava apavorada de que a grama seca pegasse fogo por causa do dragão respirando. Na sua mente ela viu a floresta inteira queimando, as criaturas correndo e ..ai, que terrível! Fogo em Grande Parque! Fogo por causa dela!

De repente, ela sabia: Grande dano podia vir de um pequeno dragão domesticado; coisas pequenas e domesticadas tornam-se feras grandes e ferozes.

E agora, onde estaria Cuidador? Onde? Por que ela não levou o filhote para ele, logo no início? Por que ela mentiu?

A fera, finalmente, a ouviu chamar. Saiu das árvores para o campo e a encarou. Amanda engoliu seco. Tinha crescido mais ainda, e ela não tinha notado o quanto crescera.

A fera enorme estava à sua espera. Seu rabo comprido rastejou-se no chão e a ponta do rabo mexeu-se como um chicote. As garras de uma pata se encravaram no solo debaixo delas, e se abriram de novo, fazendo flexões. Secreção espumosa escorria pelos dentes até seu queixo. Luz amarela estava dentro dos seus olhos. O dragão tornou-se astuto. Por que ela não tinha visto isso?

Amanda tentou se fazer o tão grande quanto possível. Ela ignorou a dor das queimaduras nos seus pés. "Dragão", ela anunciou em seu tom mais majestoso possível, "você precisa ir. Você é muito grande para a minha cova. Dragões crescidos não são permitidos em Grande Parque. Seu sopro está muito quente. Vá embora!"

O dragão olhou para ela com malícia. Ele curvou as costas, como gato a espreita, e chegou mais e mais perto dela. Finalmente, a fera enorme estava próxima. Usou o rabo para dar uma rasteira. Amanda pulou para evitar a ponta do rabo. O dragão puxou mais rápido o grande rabo dentado. Ela pulou de novo. Ele levantou a cabeça e lançou uma tocha de fogo na grama, atrás dela. Ela pôde ouvir a vegetação estalando por causa do calor. Ela sentiu que começou a queimar. Ela virou para pisar no pequeno fogo que tinha começado. O Dragão espirrou mais uma labareda. Mais fogo.

Seu coração se encheu de terror. Uma pequena princesa não consegue apagar todos os incêndios que um grande dragão começa!

O dragão lançou outra labareda. As chamas lamberam sua roupa, seu cabelo. Ela usou suas mãos para se proteger e por fim teve que rolar no chão. Ela viu a grande fera avançando, pouco a pouco, a ponta do rabo posicionado para chicotear e seus olhos ainda mais amarelados. Amanda se retraiu. Ela sabia que era inútil correr. O dragão sempre ganhava as corridas.

"Socorro!" ela gritou. "Cuidador! Cuidador! Eu sou pequena demais para esse dragão terrível. Me ajude!"

De repente, sem ela saber como, Cuidador estava em pé ao lado dela. É provável que ele tenha vindo correndo desde o momento em que as chamas começaram.

"Mate-o! Mate-o!" gritou Amanda. A fera enorme começou a se preparar para dar um bote. Levantou-se e se equilibrou nas duas patas traseiras e rugiu. Labaredas voadoras encheram o ar.

"Não, Amanda", disse o velho homem, "eu não posso matar o dragão. Somente aquele que ama algo proibido pode fazer este trabalho. Você sempre me odiará se eu o fizer. Só você pode matar o dragão!"

Cuidador puxou da sua cinta de prata o seu machado de lenhador. Ele o segurou reto em frente dele e levantou seus olhos ao céu. "Em nome do Rei, Amanda. Pela Restauração...Você precisa assassinar o dragão!"

Cuidador jogou o machado que voou bem alto, e desceu dando cambalhotas para baixo, ponta sobre ponta. O som começou; ouviu-se a música que a princesa sempre tinha amado. O machado caiu perto dos seus pés, a lâmina enfiando-se firmemente no solo. Amanda se esticou e agarrou o cabo de madeira. Ela sentiu o poder do machado ao arrancá-lo.

Com isso tudo, Amanda se achou no centro do Campo Relvoso, e Cuidador tinha se retirado do círculo de combate mortal. Pequenas fogueiras queimaram aqui e ali na grama. Era necessário que a princesa fizesse isso rapidamente. Ela teria somente uma chance.

Subitamente, Amanda teve um pensamento horroroso. Seu riso se foi. Sua visão desapareceu. E se o seu dom de mira perfeita também tivesse sumido?!

O dragão estava muito perto. Ela ficou de olho no seu rabo. Ela sabia que, mesmo tendo sido ela quem o manteve vivo, ele agora queria rasgá-la e devorá-la. O rabo se mexeu. Amanda deu um pulo para evitá-lo. Vinha de novo em sua direção. Desta vez, Amanda estava pronta. Ela acertou o rabo enorme com seu machado. Aí! Um pedaço longo tremia no chão, esguichando sangue verde de dragão.

Talvez haja esperança, pensou Amanda. Realmente foi mira certa. O dragão soltou um berro: "Cri-i-i-i! Cri-i-i-i-i! ¾ não tanto de dor como de raiva. Ele se armou nas patas traseiras, abriu sua boca, e soltou uma labareda de chamas que pegou Amanda por inteiro no rosto. Ela sentiu chamas quentes consumindo seu cabelo, sua roupa.

"Agora Amanda!" gritou Cuidador. "Agora ou nunca!"

Ela mirou com cuidado, levantou o machado, avistou as escamas esbranquiçadas no peito do dragão, que era o único ponto vulnerável dele. "Ao Rei!” Ela gritou. "À Restauração!" Força encheu seu braço. Ela deixou o machado voar.

Naquele mesmo momento, a fera avançou de novo. Pegou a perna da Amanda com o que restava do seu rabo sangrento. Ela foi derrubada até ao chão.

Mas a sua mira foi verdadeira. O machado do Cuidador acertou seu alvo e o grande dragão veio despencando sobre a pequena menina. Meleca verde esparramou-se por todo Campo Relvoso e cobriu a princesa.

Estou morrendo, ela pensou. Vou sufocar debaixo deste corpo pesado do dragão.

Amanda sentiu a mão do Cuidador pegar no seu braço. Com cuidado, e vagarosamente, o velho homem levantou o lado do grande casco do dragão, o tanto necessário para que Amanda pudesse rastejar até a liberdade.

Foi então que Cuidador aninhou a criança em seus braços, no meio do Campo Relvoso, e chorou. O cabelo e sobrancelhas dela estavam crestados. Sua roupa estava preta. Seu rosto e pés cheios de bolhas e fuligem. Ela estava coberta de sangue de dragão. Parecia uma indigente.

Mas a Princesa Amanda venceu a batalha. Ela destruiu o dragão que amava.

Então, a princesa descobriu que, quando alguém ama algo proibido, perde aquilo que mais ama. Esta verdade é uma batalha difícil de ser vencida por qualquer um que a busque, e é sempre ganha por perda.


Obrigada e Have Fun!